Rede dos Conselhos de Medicina
CFM promove ampla discussão sobre uso de crack Imprimir E-mail
Qui, 25 de Novembro de 2010 18:52
Na tarde desta quinta-feira (25), os participantes do I Fórum Nacional sobre aspectos médicos e sociais relacionados ao uso do crack, promovido pelo CFM, discutiram as propostas do Ministério da Educação para ações educativas nas escolas de combate ao uso da droga, os aspectos jurídicos do comércio e do consumo e as perspectivas da sociedade sobre o entorpecente.
 
Aspectos jurídicos – O promotor José Theodoro Corrêa de Carvalho, da 7ª Promotoria de Justiça de Entorpecentes do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), expôs aos participantes do Fórum sua experiência de trabalho na relação com traficantes e usuários de drogas e fez uma avaliação de futuro para o tema. “Embora eu ache que afastar o usuário do consumo de drogas seja difícil, que a repressão à oferta tem um resultado parcial e que a efetividade das ações de prevenção seja de difícil aferição, penso que devemos continuar no caminho atual, até que – e isso é possível – a Medicina nos ofereça alguma ajuda maior, por exemplo manipulando substâncias que inibam a compulsão por drogas”, avaliou.
 
“O problema do consumo intensivo de drogas é relativamente novo, praticamente vem da década de 1960 do século passado; os avanços são poucos ainda”, disse Carvalho, que também afirmou que a Promotoria na qual atua denuncia aproximadamente 100 traficantes por mês.
 
Atuação do MEC – Marta Klumb Rabelo, representante do Programa Saúde nas Escolas do Ministério da Educação, falou sobre a ação do Ministério no combate ao consumo de crack por crianças, adolescentes e jovens em idade escolar. Rabelo apresentou dados de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais 8,7 dos jovens brasileiros em idade escolar já usaram drogas ilícitas e 71% já experimentaram álcool. “Todos precisam atuar na construção de um ambiente relacional seguro e saudável na escola, para promover atividades que deem ao jovem a sensação de pertencimento ao espaço sócio-pedagógico, para favorecer o protagonismo juvenil na vida político-pedagógica da escola e para reforçar a auto-estima e ampliar o pensamento crítico-criativo do jovem”, disse. Segundo Rabelo, o MEC tem aproximado da escola os programa de saúde do governo federal.
 
Sociedade – Rossana Rameh, psicóloga da Secretaria de Saúde do Recife (PE) e doutoranda em psicologia pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), fez no Fórum uma defesa das ações de redução de danos. “O terrorismo midiático em relação ao uso de drogas não ajuda. Há muitos fatores implicados no consumo. O que o profissional de redução de danos busca é oferecer condições de recuperação e diminuir os riscos e problemas associados ao consumo. De qualquer modo, o tratamento deve ser individualizado – em cada caso os profissionais devem recorrer a uma determinada terapêutica”, disse Rameh, que trabalha com redução de danos no Recife.
 
Mesa e votações – A mesa que conduziu os debates desta tarde foi presidida por Carlos Vital, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, e moderada por Márcio Costa Bichara, secretário de saúde suplementar da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Entre as palestras foram apresentadas ao público questões que podiam ser respondidas um mecanismo eletrônico. À pergunta “Você conhece algum viciado em crack?”, 70% dos participantes responderam afirmativamente. “O CFM está consciente da dimensão social da saúde e das influências exercidas sobre ela por fatores sócio-econômicos. As suas ações institucionais são orientadas por um paradigma que enfatiza a dignidade humana e a saúde como bem estar geral do indivíduo – físico, mental e social. Portanto, situações como essa, de uso disseminado de crack, exigem esforços preventivos e terapêuticos que não podem estar dissociados das ações governamentais e comunitárias indispensáveis à justiça social", disse Vital.
 
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