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Ser Médico

   O exercício da medicina é em todos os tempos e todas as épocas um verdadeiro sacerdócio, aplicado por meio de regras severas que o médico deve segui-las serena e honestamente.

      O “juramento” de Hipócrates é um dos primeiros monumentos deontológicos e até os nossos dias conserva o mesmo valor moral.

      É difícil ser Médico dentro dos contrastes chocantes do nosso Brasil de hoje. O seu destino tem que ser aquele do qual surgem suas decisões.

      Ser Médico, significa que no exercício de sua arte recebe e reage às angústias e a dor física do ser humano que lhe procura e isto significa penetrar na profundidade da natureza humana.

      Ser Médico, significa que tem liberdade e autonomia, o que significa obediência à lei da razão, porém tem que entender que aqueles que o procuram são mais que coisas e mais que meros objetos ou números.

      Ser Médico, significa viver em profunda ansiedade de acertar e não cometer erros. Ansiedade de sobreviver, estando potencialmente presente em todo momento de sua vida, penetrando na sua totalidade, amoldando seu espírito e determinando suas ações, estando enraizada em seu ser.

       Ser Médico, significa construir uma nova prática. Sonhar com um novo mundo. Sonhar com um novo Homem.  Construir uma nova moral.

       Ser Médico, significa não se contentar em fazer perguntas sem poder respondê-las ou formular problemas deixando a outros o trabalho de imaginar soluções. Significa realizar esforço solidário de promoção humana mergulhando na luta contra a miséria, a fome e a doença e contra todos comportamentos doentios que escravizam o homem.

       Ser Médico, significa refletir sobre os estragos que os pecados sociais e toda forma de violência opera no mundo. Significa despertar a consciência para o sentimento de justiça social, que exige elevação do nível de vida da população.

       Ser Médico, significa não permanecer num exercício de espera correndo o perigo de tudo continuar como está. Porque esperar, tornou-se para o Médico, o gesto de todos os dias, como que navegando no mar de suas esperanças e de seus sonhos.

       Ser Médico, significa ter amor pela sua arte e pelo ser Humano, não permitindo que nem a avidez, nem a sede de glória, nem a sede de uma alta reputação se aninhem em sua alma afastando-o do conceito mais alto de sempre fazer o bem ao seu semelhante.

       Ser Médico, significa ter forças na alma e no coração, a fim de que esteja sempre igualmente disposto a servir tanto ao rico como ao pobre, ao bom como ao mau, ao amigo como ao inimigo e, a ver no enfermo o seu semelhante que sofre, inspirando nele confiança no Médico e na sua arte, sabendo acolher, ouvir, escutar com harmonia, com doçura e paciência e que a presunção não perturbe o seu agir.

       Ser Médico, significa ser moderado em tudo, exceto no conhecimento da sua profissão. Significa expandir indefinidamente seus conhecimentos profissionais e enriquecer diariamente através de novos e seguros conhecimentos.

       Ser Médico, significa, sempre, uma tentativa de demonstrar que toda sua ação deve ser realizada de tal forma que sirva aos propósitos da ação de Deus – o bem estar e felicidade humana e isto responde às angústias e às esperanças do médico.

       Ser Médico, significa atender ao chamado de Deus. Não perder o sentido dos acontecimentos e das coisas cotidianas.

       Ser Médico, significa ter alegria de ser Médico pela graça de Deus; ter alegria de servir tanto nas grandes realidades como nas pequenas. Estas são vividas com horizontes imensos; aquelas com a simplicidade dos que sabem o servir e uma ação divina.

            Ser Médico, significa que o alvo de sua existência é servir o ser Humano.

Eduardo Braga

Médico Pediatra

Conselheiro do CRMTO

 
O navio SUS

 

Era uma vez (toda historinha que se preza, mesmo as mais modernas, começa com “era uma vez”)...pois bem, era uma vez uma ilha distante com uma população de, aproximadamente, trinta mil habitantes.

Tudo corria como de costume, as pessoas iam vivendo como Deus permite (ou seria ao Deus dará?)...eis que de repente, não mais que de repente, surgiu uma emergência: valha-me Deus, era a catástrofe anunciada: um vulcão!

Pois é, a ilha tinha vulcões aparentemente adormecidos, mas nesse momento um deles estava prestes a explodir, podendo dizimar toda a população.

“- Mas tudo bem, disseram as autoridades, não há problema, vamos resolver tudo a tempo”.

A ilha possuía um navio e sua tripulação era altamente treinada e dedicada, mesmo trabalhando em situações adversas, como veremos.

É sabido que havia entre a tripulação alguns marginais, o que é inerente a todo e qualquer segmento da organização social humana. E estes marginais eram renegados e repudiados pela esmagadora maioria da correta e ética tripulação.

Acontece que a capacidade do navio era de dez mil passageiros, mas, segundo a tripulação, não comportava mais do que oito mil. Isto devido às más condições de conservação da embarcação...sucateamento, avarias, falta de equipamentos e até falta de material de consumo, higiene e limpeza.

 

A tripulação tentava, com horas extras de trabalho, suprir as deficiências e corrigir as falhas e, sempre que tinha oportunidade, alertava, advertia e solicitava ao seu governo, os reparos necessários.

Crise instalada, o governo se mobilizou e rapidamente diagnosticou o problema, providenciando a solução: considerou e acusou a tripulação de negligência e conduta imprópria. Contratou (ou alugou, não se sabe) uns sofridos navegantes cubanos e decretou:

“- O navio está seguro e sua rota determinada. Embarquem todos, mas todos mesmo. Ficará um tanto apertado, mas a situação atual é de crise e exige sacrifícios. Vamos! Embarquem já! Feliz viagem!”.

O desastre foi inevitável!                                            

Esta é a tragédia do nosso sistema público de saúde: insuficiente navio SUS.

E a Cúpula Governamental? Ah...a Cúpula Governamental deixou a ilha usando seus jatinhos particulares,  afinal aviões são sempre mais seguros, confortáveis e rápidos.

 

 

 Dr. Jaci Silverio de Oliveira

 Presidente do CRM-TO

 
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