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O poder está com o eleitor
Ter, 15 de Setembro de 2020 11:50

Em uma semana, termina o período destinado às convenções partidárias e à definição sobre coligações para as eleições deste ano. Até o dia 26 de setembro, será possível conhecer, oficialmente, os candidatos a prefeito e vereador. Essas datas marcam o início efetivo do período da campanha que, em 2020, terá características especiais.

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o País conta com 147.918.483 de cidadãos aptos a participar das Eleições 2020. Em Rondônia, estão 1.190.505 desses homens e mulheres que têm o poder de mudar os rumos de seu munícipio com um voto.

 

No Estado, os maiores colégios eleitorais são, por ordem, Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal e Vilhena. Juntos, esses cinco municípios congregam 51% dos eleitores rondonienses (613.304 pessoas) aptos a votarem em novembro, quando ocorrerá o primeiro turno. O restante se divide entre 47 cidades do interior.

 

Há quatro anos, o Brasil foi ocupado por milhares de candidatos atrás do apoio desses eleitores. Na época, apesar da internet estar em ascensão, ainda havia espaço para as campanhas tradicionais, com direito a corpo a corpo em feiras livres e eventos públicos, comícios e muitos apertos de mão.

 

Este ano, com o crescimento das redes sociais e, sobretudo, por conta da pandemia de Covid-19, a disputa terá outro tom. Caso seja mantida a obediência às recomendações de restrição de contato social, os candidatos terão na internet um canal decisivo para contar suas propostas aos eleitores.

 

Os especialistas estimam que se cada interessado em ocupar uma cadeira de vereador ou prefeito publicar apenas um post por dia no Twitter, Facebook e Instagram, os eleitores brasileiros serão impactados com três milhões de mensagens por dia.

 

Nesse processo de convencimento em torno de propostas e posicionamentos que reside a beleza e o risco de uma eleição. Os candidatos se desdobram para encantar, contando histórias de compromisso com a população e com a mudança para melhor.

 

Se falará muito em combate à corrupção; em mais investimentos para segurança, saúde e educação; em dar voz aos anseios populares. Será uma tempestade de promessas que exigirá do eleitor discernimento para separar o joio do trigo.

 

A experiência demonstra que as falas de palanque (reais ou virtuais), com honrosas exceções, costumam mudar após a posse. Os ajustes ocorrem por orientações do partido, da coligação, das forças políticas de ocasião. Em alguns casos, fica evidente que os interesses pessoais também pesam.

 

Livrar-se dessas situações, que trazem desânimo e uma sensação de abandono ao eleitor que tanto confiou no seu candidato, não é tarefa fácil. Mas essa dificuldade não significa que se deva ficar alheio ao que ocorre e optar por dar seu voto para qualquer um ou mesmo anulá-lo ou deixá-lo em branco.

 

Nesse processo, cada um de nós, eleitores, deve buscar informações sobre os candidatos, conhecer suas histórias de vida e de militância. É importante ainda avaliar suas plataformas de campanha para ver o que é realmente possível de ser feito e o que é apenas discurso.

 

Finalmente, deve-se colocar o interesse do coletivo acima do interesse particular. O seu voto precisar ser dirigido ao candidato que pode trazer ganhos para sua comunidade. Depositá-lo numa urna de olho em vantagens para você ou sua família apenas enfraquece a luta de todos por mais qualidade de vida.

 

Até 15 de novembro, quando ocorre o primeiro turno, muito acontecerá. Por isso, o eleitor pode, desde já, exercer sua cidadania e buscar o melhor para seu município escolhendo nomes que sejam capazes de trabalhar com ética, justiça e transparência para Rondônia se torne o Estado que sonhamos.

 

José Hiran da Silva Gallo

Diretor-Tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM)

Doutor e pós-doutor em Bioética

 

 
COVID-19: Os Testes de Farmácia Viraram Febre
Sex, 21 de Agosto de 2020 10:19

 

A pandemia de COVID-19 tem gerado muita ansiedade e até nervosismo, provocando, muitas vezes, condutas intempestivas, sem o adequado assessoramento profissional.

Frente a sintomas ou contato com pacientes de COVID-19, as pessoas têm procurado realizar "testes rápidos", nos locais mais diversos.

É importante conhecer sobre os testes diagnósticos para entender qual a sua eficiência. Um parâmetro para aferir a eficiência de um teste é a sensibilidade. Sensibilidade é a capacidade de um teste para identificar, dentre as pessoas com suspeita de doença, aquelas realmente doentes.

Em primeiro lugar, temos o teste para identificação do vírus COVID-19, chamado RT-PCR. Ele pode ser realizado pelo raspado da nasofaringe (swab) ou pelo escarro (em pacientes com tosse produtiva, ou seja, com expectoração).

A sensibilidade do RT-PCR é de 67% na primeira semana, 54% na segunda e 45% na terceira. Sendo assim, esse teste erra (apresenta falso negativo) em 33% dos pacientes na primeira semana de sintomas, tendo a chance de erro aumentada com o passar das semanas.

A qualidade da coleta da amostra também influencia na eficiência desse teste.

Idealmente, para se obter maior eficiência diagnóstica, o teste RT-PCR deve ser realizado quando houver sintomas compatíveis ou necessidade de confirmação da infecção.

Em segundo lugar, temos o teste para detecção de anticorpos COVID-19 (imunidade do nosso corpo contra o vírus), chamado sorologia. Ele pode ser realizado em uma gota de sangue (teste rápido) ou pela coleta de sangue endovenoso (realizado em laboratórios de análise clínica).

A sensibilidade da sorologia é de 38% na primeira semana, 90% na segunda e quase 100% na terceira. Portanto, esse teste erra (apresenta falso negativo) em 62% dos pacientes na primeira semana de sintomas, o que é uma taxa absurdamente alta.

Idealmente, para se obter maior eficiência diagnóstica, o teste de sorologia deve ser realizado a partir do 8º dia do início dos sintomas, momento que consideramos tardio do ponto de vista clínico, retardando o isolamento e o tratamento.

Os testes rápidos têm sido realizados em farmácias, supermercados, empresas em geral, órgãos públicos etc. A eficiência destes testes, porém, é baixa, se realizados frente a sintomas iniciais.

Estes testes dificultam o diagnóstico, confundem as pessoas e os profissionais de saúde.

Por isso, a recomendação é que pacientes com sintomas iniciais procurem unidades de saúde para realizar uma correta avaliação, exames específicos e tratamento precoce. A epidemiologia (contato com pacientes suspeitos ou positivos) e a história clínica do paciente são fundamentais para se realizar o diagnóstico e iniciar precocemente o tratamento. Em medicina, temos uma antiga frase: "a clínica é soberana". Ou seja, a história clínica é essencial para se fazer um correto e precoce diagnóstico de COVID-19.

É importante levar em conta que, em pacientes com sintomas de COVID-19, um teste negativo não descarta o diagnóstico, podendo, nestes casos, ser iniciado o tratamento precoce. Isto quer dizer que pacientes com sintomas de COVID-19 devem ser considerados positivos, podendo iniciar o isolamento e o tratamento precoce.

 

 Dr. Andrés G. Sánchez
CRM-TO 2290
Cardiologista RQE 991
Hemodinâmica RQE 1.001

 
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